FELIPE VELOSO

Eu venho de uma família de origem portuguesa e bem brasileira, de Minas Gerais, que eu acho que tinha uma ideia ou uma noção de que vestir-se é se comunicar. Meu pai era um cara bem formal que trabalhava de terno e gravata e gostava de pedir minha ajuda pra escolher as gravatas que combinavam com as camisas e com os ternos, e minha mãe tinha uma relação com o vestir-se muito divertida.

Acho que ter estilo é vestir alguma coisa que te reconhece.

Eu venho de uma família de origem portuguesa e bem brasileira, de Minas Gerais, que eu acho que tinha uma ideia ou uma noção de que vestir-se é se comunicar. Meu pai era um cara bem formal que trabalhava de terno e gravata e gostava de pedir minha ajuda pra escolher as gravatas que combinavam com as camisas e com os ternos, e minha mãe tinha uma relação com o vestir-se muito divertida. Ela achava que a gente tinha que montar looks e ter roupas separadas de brincar das roupas de sair, de ir à escola. Então, eu acho que eu herdei um pouco disso, dessa relação de vestir-se e se comunicar, daquilo traduzir um pouco do meu temperamento, do meu humor, de como eu me sentia naquele dia. Eu tive uma criação muito liberal e uma formação acadêmica. Sou formado em Odontologia, que me ajudou a criar uma certa disciplina. Então, eu acho que minha vida acabou sendo regida e ditada por essas duas forças bem antagonistas. Uma coisa certinha, militar, e uma coisa criativa, lúdica e divertida. Eu tive uma oportunidade gigante de trabalhar com a Regina Casé no Brasil Legal, que era um programa que viajava muito pelo país, e acho que isso também influenciou o meu jeito de trabalhar e de me vestir. Eu acredito muito que as pessoas, e que a gente, comunique muitas coisas através da roupa que usamos.

 

Aquilo ali é meio que um liquidificador de ideias, de temperamento, de astral, de energia, de lugar, de amizade e acho que isso se traduz de uma maneira muito simples quando você acorda, abre o armário e precisa escolher uma roupa. Essa escolha passa um pouco por esse senso, por esse sentido plural que vem de vários lugares e que acaba relacionamento você com o espaço e com o tempo naquele momento. Adoro a capacidade libertatória de vestir-se, que seria transgredir isso tudo, sabe? Idealizar, querer ser alguém, vestir alguma coisa que você está afim, que você busca e tem vontade de estar próximo. Essa comunicação, pra mim, é muito e muito importante, ela é diária e eu acredito e espero que as pessoas usem do jeito de se vestir para tornar a vida delas mais feliz e mais alegre. Eu acho que esse é o real sentido da nossa existência: felicidade.

Eu fico muito contente também que a moda tenha se libertado dessa coisa ditatória de tendências e tipos. Acho que ter estilo é vestir alguma coisa que te reconhece, que tenha a ver com você. Isso não está preso à sua forma física. O importante é o bem-estar que aquilo te causa, muito mais do que a ideia ou a noção que os outros têm de você estar padronizado ou dentro de um padrão que as pessoas julgam legal. Eu prefiro o mau gosto do que a falta de gosto.

Esse projeto que vocês têm, o “Pele”, é muito legal porque a gente percebe isso. É como se as pessoas estivessem ali vestindo a personalidade delas e naquele momento elas não estão usando nenhuma peça de roupa. Então, eu acho que isso também é uma comunicação. Vestir-se também é o jeito que você lida com o seu corpo, com a sua pele, com o seu move, com sua energia.

Felipe Veloso

@felipeveloso