FERNANDA CUBIACO

@cubiacofernanda

Convido-os a praticar um exercício. Que tal questionar-se mais a cada necessidade de consumo?

Como vim parar aqui?

Recebi a seguinte mensagem pelo “direct” do instagran: “Olá Fernanda, tudo bem? Gostaria muito de ter você com a gente, escrevendo sobre o que acreditamos... somos a única revista sustentável do país por sermos por demanda. E me deixaria muito feliz ter seu conteúdo com a gente em todas as edições.” Minha reação imediata foi abrir um sorriso daqueles, de orelha a orelha, e que perdurou por alguns minutos. A reação seguinte foi escrever: uhuuuuu, eu quero, eu topo.

Então me apresento. Sou Fernanda Cubiaco. Sou carioca, leonina, jornalista e empreendedora. Voluntariamente sempre me envolvi e envolvi pessoas em campanhas de conscientização pelo meio ambiente e pela proteção animal, já há muito. E chegou a hora de fazer desse trabalho voluntário um negócio de impacto social, que visa promover (botar pra girar) para os diferentes nichos de mercado, práticas para a sustentabilidade urbana. O desafio veio junto com os 50 anos recém-completados.

Antes de contar sobre o que é um negócio de impacto social, vou falar sobre o nome Bota pra Girar. Ele foi criado em 2011 para dar nome ao blog que seria alimentado com histórias das ONGS e movimentos que há época comecei a me envolver, tais como ABLM, Movimento Lixo Zero e Argilando... Mas por trás da vontade de contar a história dessa galera, tinham duas necessidades: de me recolocar no mercado de trabalho e que esse trabalho tivesse um propósito.

Ponto da Virada

Em Novembro de 2009 fui desligada da joalheria em que trabalhava. Há muito queria deixar o comércio para trabalhar com pelo meio ambiente.  Encasquetei que para atuar nessa área dependeria de uma nova formação. Pensei em fazer uma faculdade de engenharia ou gestão ambiental. Aí contei isso pra minha amiga e empregadora à época, Gisela Fiúza. Gisela me ouviu e disse, “acho melhor você conversar com minha mãe”. Gisela sabia que meu sustento dependia de meu trabalho. E nessa altura do campeonato, fazer uma faculdade, ainda mais de engenharia, não cabia. 

Fui conversar com dona Gilda, mãe de Gisela e psicóloga de carreiras. Num único bate-papo, após saber que eu era formada em jornalismo, ela me falou algo assim: você já está pronta para trabalhar pelo meio ambiente. Adquira mais conhecimento e o espalhe por aí, sensibilize as pessoas com informação. Caramba, pensei eu. Vou ter que falar pra ela do meu trauma.... de que havia abandonado o jornalismo aos 30, após ouvir de dois chefes que eu não tinha habilidade para escrever. Transformei essa informação numa crença limitante. Aí a sábia dona Gilda, depois de me ouvir, disse algo assim: esquece isso, eles não sabem de nada sobre você. Os blogs estão na moda. Crie o seu e volte a escrever.

 

A males que vem para o bem

Dias após esse encontro com dona Gilda, eu peguei o resultado de um exame. Ele deu positivo para um câncer de mama. Indignei-me. Questionei Deus, “como eu atleta, vegetariana há quase 20 anos e uma pessoa do bem teria um câncer?” (vejam quanta arrogância nesse pensamento). A indignação durou pouco. Em março do ano seguinte minha ficha caiu. Abraçada por meus amigos e recebendo muito amor de todo mundo, cedi a minha fragilidade como ser humano. E compreendi  que esse seria meu momento de aprendizado para reafirmar sobre o que eu queria para os próximos anos da minha vida.

Curada aos 42, botei o blog no ar. E no meio do caminho, até chegar aqui aos 50, sai da caixinha para dar tempo do negócio que se tornaria o Bota, maturar. Fui @airbnb para 40 hóspedes estrangeiros. Hospedei também bichinhos, mais de 100. Fiz assessoria de imprensa, gestão de conteúdo em redes sociais, cerimoniais de casamento e em parceria com ONGS e movimentos, tive a chance de palestrar em escolas públicas e privadas, universidades, restaurantes, hotéis, condomínios e eventos. Falei para algo em torno de  20 mil pessoas nos últimos 5 anos. Em 2017 a procura por consultoria, motivou a abertura do meu negócio de impacto social.  

Negócio de Impacto Social para conscientizar sobre o descarte correto dos resíduos

O Sebrae entende negócios sociais como iniciativas financeiramente sustentáveis, geridas por pequenos negócios, com viés econômico e caráter social e/ou ambiental, que contribuam para transformar a realidade de populações menos favorecidas e fomentem o desenvolvimento da economia nacional. O Bota pra Girar é um negócio que apoia os diferentes segmentos da sociedade na conscientização e gestão de resíduos. Por que resíduos?

Somos sete bilhões e meio de pessoas. Seremos em 2050 nove bilhões. Cada um de nós  descarta entre 500 grs e 1 kg de resíduos por dia. Sem contabilizar o resíduo das indústrias, podemos dizer que geramos algo em torno de 700 milhões de toneladas de resíduo por dia. Dependendo da região, o destino desse resíduo nem é o aterro sanitário. Vão para lixões clandestinos, matas, rios e oceanos.  Nossa pegada está gigante e contaminando todo canto. E como podemos diminuí-la?

Com o Bota pra Girar estou trabalhando no corpo a corpo nos diversos segmentos da sociedade. E com a WOW, gentilmente convidamos vocês para trabalhar nisso também. Temos uma meta de no Rio de Janeiro, alavancar a coleta seletiva de dois para 20% nos próximos dois anos. E se todo mundo fizer a sua parte, adotando e levando a prática da coleta seletiva para além de suas casas, vamos conseguir chegar a essa marca que impacta no volume global. E na nossa próxima edição WOW, com base nos relatos de vocês, que podem ser enviados pelo inta, vamos contar como estamos, juntos, trabalhando para diminuir nossa pegada no meio ambiente.

Acreditem, sonhem, realizem pois todos somos capazes de mudar pra melhor e botar pra girar tudo isso!

Fernanda Cubiaco